O Livro de Apocalipse (Perspectiva Preterista)
- caminhoedificante
- 7 de fev.
- 4 min de leitura
Atualizado: 17 de fev.

Introdução
O Livro de Apocalipse, ou Revelação, é uma obra profunda e enigmática que encerra o Novo Testamento. Escrito pelo apóstolo João na ilha de Patmos, o livro detalha uma série de visões e profecias sobre o futuro da humanidade, o julgamento divino, e a vitória final de Deus sobre o mal. A perspectiva preterista interpreta essas visões como eventos que já ocorreram, principalmente no primeiro século da era cristã.
Estrutura do Livro
Introdução e Saudação (Apocalipse 1:1-8)
João começa com uma saudação às sete igrejas da Ásia Menor, apresentando a natureza das revelações que recebeu de Jesus Cristo.
As Cartas às Sete Igrejas (Apocalipse 1:9-3:22)
Estas cartas contêm elogios, críticas e advertências às sete igrejas específicas, mas também têm aplicação para a igreja universal em todas as épocas. Preteristas interpretam essas cartas como mensagens diretas para as igrejas do primeiro século, que enfrentavam perseguição e desafios internos.
O Trono de Deus e o Livro Selado (Apocalipse 4:1-5:14)
João é levado ao céu e vê o trono de Deus, onde um livro selado com sete selos é apresentado. Apenas o Cordeiro (Jesus) é digno de abrir o livro. Preteristas veem isso como uma visão do poder soberano de Deus sobre os eventos que estavam para acontecer na época.
Abertura dos Sete Selos (Apocalipse 6:1-8:1)
Cada selo aberto desencadeia uma série de eventos: os quatro cavaleiros do apocalipse, mártires, desastres naturais, e o silêncio no céu. Estes são interpretados como representações dos eventos que levaram à destruição de Jerusalém em 70 d.C.
As Sete Trombetas (Apocalipse 8:2-11:19)
As trombetas trazem julgamentos adicionais, incluindo catástrofes ecológicas, tormento espiritual e a invasão de exércitos demoníacos. Preteristas associam essas trombetas aos eventos de guerra e destruição que ocorreram durante o cerco de Jerusalém.
O Grande Conflito e a Besta (Apocalipse 12:1-14:20)
João descreve o conflito cósmico entre as forças do bem e do mal, incluindo a ascensão da besta e o falso profeta. Preteristas veem a mulher e o dragão como representações da igreja e das forças opostas, enquanto a besta é frequentemente interpretada como o Império Romano e o falso profeta como o imperador Nero.
As Sete Taças da Ira de Deus (Apocalipse 15:1-16:21)
Estas taças representam julgamentos finais e devastadores sobre a humanidade rebelde. Preteristas acreditam que essas taças simbolizam os julgamentos que caíram sobre Jerusalém e o Império Romano, culminando na destruição do templo.
A Queda da Babilônia (Apocalipse 17:1-19:10)
A grande prostituta, símbolo da corrupção e idolatria, é destruída. Preteristas interpretam Babilônia como uma representação de Jerusalém apóstata, cuja destruição é narrada detalhadamente.
A Batalha do Armagedom e a Vitória Final (Apocalipse 19:11-20:15)
Jesus retorna, derrota o anticristo e seus exércitos, e Satanás é finalmente lançado no lago de fogo. Preteristas veem isso como a representação da vitória final de Cristo sobre as forças romanas e judaicas que perseguiam os cristãos.
O Novo Céu e a Nova Terra (Apocalipse 21:1-22:21)
João vê a nova Jerusalém, onde Deus habitará com Seu povo para sempre, em um estado de paz e perfeição eternas. Preteristas acreditam que esta visão simboliza a igreja restaurada e a nova era de relacionamento com Deus após a destruição do antigo sistema judaico.
Interpretação Preterista
As Sete Igrejas
Cada uma das sete cartas às igrejas é vista como mensagens específicas para as igrejas do primeiro século, abordando problemas e encorajamentos contextuais.
Os Sete Selos
Os selos são interpretados como representações dos eventos que levaram à queda de Jerusalém e ao colapso do sistema judaico antigo.
As Sete Trombetas
As trombetas simbolizam os julgamentos que ocorreram durante o cerco de Jerusalém e os conflitos militares daquela época.
A Besta e o Falso Profeta
A besta é vista como uma representação do Império Romano e o falso profeta é frequentemente identificado com o imperador Nero, que perseguiu os cristãos intensamente.
As Sete Taças
Estas taças são vistas como os julgamentos finais que culminaram na destruição de Jerusalém e no fim do antigo pacto.
A Queda da Babilônia
Babilônia é interpretada como Jerusalém apóstata, cujo sistema corrupto e idolatra foi destruído em 70 d.C.
O Milênio
Preteristas veem o Milênio como um símbolo do reinado espiritual de Cristo através da igreja, que começou após a ressurreição de Jesus.
Aplicação Prática
Fé e Perseverança
A história das igrejas do primeiro século é marcada por perseguição e tribulação. Devemos manter nossa fé e perseverança, confiando que Deus está no controle da história.
Vigilância e Discernimento
A igreja deve estar sempre vigilante contra as forças que se opõem a Deus e discernir os falsos ensinos e corrupções que surgem ao longo da história.
Esperança na Soberania de Deus
Apocalipse reafirma que Deus é soberano e que Seu plano se cumprirá. Mesmo quando enfrentamos desafios, podemos confiar que Deus tem o controle.
Evangelização e Testemunho
A mensagem de Apocalipse nos encoraja a compartilhar o evangelho e ser testemunhas fiéis de Cristo em todas as épocas e circunstâncias.
Conclusão
O estudo do Livro de Apocalipse, a partir da perspectiva preterista, oferece uma visão de que muitas das profecias já se cumpriram no primeiro século, especificamente na destruição de Jerusalém. Através desta interpretação, somos chamados a viver com fé, discernimento e esperança, confiando na soberania de Deus e aguardando com expectativa o cumprimento final de Seu plano e a consumação do Seu reino eterno.

Pr. Enio Roberto de Souza
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